13 fevereiro 2018

Carnaval de 75


A foto a seguir é privadamente histórica. Os apaches nela transfigurados sou eu próprio e minha irmã, prontos para um baile de carnaval infantil. Percebam que há um sutil movimento que faço com meu ameaçador tacape. Trata-se da insinuação de uma pose que, embora discreta – e justamente por isso – pretende confirmar, às gerações futuras, a minha identidade apache.
Sempre fui apache e, hoje, o confesso.
Recordo perfeitamente desse dia. Eu estava orgulhosíssimo daquilo que minha mãe chamava, de modo um tanto desrespeitoso, de a minha fantasia de índio. Minha mãe não alcançava a transcendência política do momento. Tratava-se, afinal, de eu, finalmente, assumir minha identidade mais profunda e autêntica, porque eu era, como ainda sou e serei, caso não saibam, um legítimo, profundo e autêntico guerreiro apache. Pronto para morrer em combate em defesa das mulheres e dos cavalos do clã.
Já minha irmã não parecia muito confiante dessa identidade. Na verdade, a decisão a respeito desse figurino não lhe pertencera e, embora ainda muito nova, já tinha na cabeça que fantasia de carnaval aprensentável e decente, para si, era a de bailarina, e ponto final. Não obstante, com minha determinação irredutível, minha mãe convenceu-se, e convenceu-a, nem sei como, de que iríamos de apaches.
Na verdade, minha mãe não entendia por que razão eu teimava em ser índio - num mundo de cowboys. Restava no mundo essa imênsa intolerância. Mas eu sabia a razão, e era incrível que minha mãe não a percebesse. Era a fotografia antiga que eu vira num álbum, na qual ela mesma estava de índia, no carnaval, e junto com uma tribo invejavel pelo número e disposição de ânimo. Um dia a produzo.
Não obstante, o bloco do qual, anos antes, minha mãe fez parte tinha no nome uma referência aos Tupinambás. Sim, guerreiros valiosos, todos sabemos. Mas eu era apache - e quanto a isso não se discutia! Já estamos conversados, ok?

Mas voltando ao carnavel de 1975, observo que a roupa foi produzida por minha avó, a d. Nida, e os apetrechos – o cocar, as penas, o colar de dentes de crocodilo (percebam-no: a meu ver era o “grande detalhe” da composição, o toque definitivo que atestava a veracidade da minha identidade) e o tacape foram comprados em O Mandarim, essa loja incrível (digam se não!) que ainda hoje há, no largo de Nazaré.
Desejo assinalar que aí se concretiza minha primeira experiência antropológica.
Aliás, esse colar de dentes de crocodilo (sim, vocês mal o perceberão na foto, mas, acreditem, ele era incrível) foi guardado durante uns dez anos em casa, até ser roubado por um gatuno, que além do valoroso objeto, levou apenas quatro aparelhos de telefone - dando margem para concluirmos que o sujeito acreditava que cada aparalho valia o preço que, naqueles tempos se pagava por uma "linha", coitado. Sim, os mais jovens dificulmente entenderão que, antigamente, se comprava "linhas de telefone", caras e até vendidas a prazo e que para ter uma deles se tinha que fazer cadastro e esperar alguns anos... O gatuno infleiz tomada aparelho por linha - e sabe-se lá se tomava por verdadeiros, ou ao menos por lindos, os dentes de crocodilo comprados n'O Mandarim...

Bom, voltando ao tema do carnaval... devo dizer que, durante minha infância, ao desejo de minha mãe, frequentei inúmeros "bailes". Os dos clubes e os da nossa casa, no Lago Azul, organizados por ela, sempre entusiasta do que a eles se referisse. Minha mãe era do tipo que não se intimidava em dar festas para uma centena de brincantes, fossem elas crianças, como eu e minha irmã (meu irmão, nascido em 1974, não tomara, ainda, a consciência do vasto mundo), fossem adultos, dentre os quais as inúmeras tribos bárbaras que freqüentavam nossa casa: as amigas malucas da minha avó Nida; os gauches, amigos de meu pai – dentre os quais duas dezenas de jornalistas absolutamente pervertidos e que sempre me serviram de anti-modelo, no que tange à minha posterior decisão de cursar a faculdade de comunicação; os parentes, que vinham de todo lado e que ninguém sabia muito bem de que maneira que o eram e nem, tampouco, porque, de fato, o eram; os vizinhos, muitos deles estrangeiros, sempre crentes de que minha família constituía a quintessência da alma amazônica e da contradição social brasileira; os espiões da ditadura, por todos sabidos e lambidos como tais e que, não obstante, eram fraternalmente recebidos pela generosidade insólita de meu pai e, sobretudo, a gente circunspecta e séria, estrelas da festa, que constituíam a canalha de desembargadores, juízes, deputados, capelães e apóstolos de cristo que, em minha casa, na língua malsã de minha gente, eram sempre esculhambados e escroteados sem sequer perceber que o estavam a ser e que, apesar de tudo, ainda por lá persistiam – para o regozijo de meu pai, no dia seguinte, às suas gargalhadas sempre bem dadas, em seu esporte de desdenhar de tudo aquilo que adviesse do que cria ser a pequenez da "burguesia" pequeno-burguesa paraense.
Durante uns dez anos, minha mãe organizou bailes de carnaval na minha casa. Bailes em dois tempos: o tempo infantil e o posterior tempo dos adultos. Eu, curioso do mundo, participava de todos. E vestido de índio. De apache (e nnao de tupinambá). Apesar da ditadura, os anos 70 eram muito loucos. Particularmente, suponho, em minha casa.
O desembargador Pereirinha (o nome é fictício, mas se adéqua) chegava sempre acompanhado de duas muheres, e com um pequeno estoque de lança-perfume. Anos mais tarde, ofereceu-mo. Minha primeira experiência nesse submundo Nada senti... – embora quase me sufocasse com o lenço fedorento do senhor doutor desembargador, isso sim, mais provavelmente, a verdadeira droga...
Havia também o senhor prefeito, o doutor Ajax (nome verdadeiro, por incrivel que hoje pareça), que eu muito admirava, porque era de fato figura incrível, sensata e honesta, digníssima e coisa & tal. E que queria fazer de mim um diplomata... Não obstante minha determinação, àquele tempo, de ser “pintor”... de cavernas antigas. Saudoso doutor Ajax, saudosa dona Maria, sua senhora, igualmente muito querida... Minhas saudades a si!
E havia, é claro, a tribo enlouquecida dos "contraparentes". Os que mais pulavam, por causa que, ainda, desconheço. A timidez, o tempo e as contradições do mundo imperdiram-me de oferecê-los ao Pedro, meu filho, que certamente amaria ver essas coisas. Mas fica meu relato, que é o que lhe posso dizer e ofertar de mais profundo. Embora não saiba se o relato pode superar a realidade, penso que o relato fica, e beneficia a muitos, enquanto a realidade é afeita às diputas da narração...
Os "contraparentes"... Esclareço que a categoria é arbitrária. É meu pai quem lha dizia. Por tal, catalogava praticamente as gentes todas que pulavam o carnaval em minha casa sem que se soubesse, ao certo, quem lhas havia convidado. Era uma gente mui estranha, dada a alegrias e a abraços. Não eram, ao que compreendo, tecnicamente, contraparentes, mas sim, contra-paraentes. Palavras do meu pai. Naquele tempo (e ainda hoje) eu era/sou muito pequeno, ainda, para entender a todas as ironias do meu pai. O que importa é que eram - e que estavam. A respeito deles há sempre mais que não dizer do que dizer. Embora sínteses sejam possíveis. 

E eu, vestido sempre de apache, a freqüentava: antropólogo avant-la-lettre, sincero e comovido, educado para a generosidade. O carnaval de então obliterava atenção.
...Embora não minha memória. E embora não, evidentemente, a recordação dos bailes de salão, ou melhor, especificamente, os bailes da Assembléia Paraense, do Remo e do Paraclube ao menos aqueles no quais, com minha pouca idade, eu me fazia tolerado e para os quais, de apache, transcendental, eu me dirigia, tal como na foto acima.

No carnaval de 1976 minha mãe forçou a barra e me vestiu de cowboy. Mas foi o carnaval de 1977 que, de fato, me desgostou. Nele, minha mãe me vestiu de sarong. Era moda. Se não sabem o que é vejam no Google. Impossível dizer como me senti ofendido - e, talvez, humilhado. 

O que importa, no entanto, é que mesmo com essas fantasias alienígenas, com todas elas, sempre portei, ao menos, o tal colar de dentes de crocodilo. Resistente e insubmisso... Ecoando nos detalhes a minha insubordinação tranquila. Afinal, já sabem, eu era, e sempre fui, um guerreiro apache.
De todo modo, o carnaval corria, ocorria, e, meu pai, ao menos ele, gauchiste feroz, pesadelo da família, me fornecia a sua sociologia e, dentre todos, era o único que, realmente, reconhecia minha identidade. Recordo daquele baile de 1975, no clube, quando ele se aproximou e falou:
“Ao menos um quinto dos que estão aqui pulando, dentre ébrios e sóbrios, são contraparentes, ou seja, gente próxima e ao mesmo tempo distante. Exatamente o quinto mais esquisito, canalha, precário e ridículo. O quinto que menos presta – seja pelo cinismo, seja pela ignorância, seja pela pobreza da alma. Eu, de mim, procuro salvar-me; pelo que, suponho, ao menos te salve um pouco, Fábio. Ao menos tu, meu filho, tu, tu és um guerreiro apache! Não te esqueças nunca da tua origem: tu és um verdadeiro guerreiro apache, e o resto que se foda!”

12 fevereiro 2018

De volta...

Estou de volta; outra vez.
As vezes tenho impressão de que mais estou de volta do que estou, realmente. Parece uma condição e uma sina: estar de volta o tempo todo. Como se a vida quotidiana só tivesse sentido na sua condição de vir-a-ser – condição prolixa e algumas vezes triste (embora não para mim, imagino), mas efetiva.
Seis meses fora, desta vez. Seis meses entre Londres e Cambridge. Mil e trezentas e vinte e oito histórias a contar (catalogadas nos meus diários); mas não agora.
Se disser que mudei profundamente não será verdade, mas há quem queira acreditar. Alguns me acharam magro e outros puderem perceber que perdi cabelos brancos. Não admira: seis meses longe da coordenação do Ppgcom favorecem muito a beleza de um cristão... – embora isto não queria dizer que o pobre Ppgcom seja lá um desafio desatinado...
É que a vida da gente é para o que a gente é; e eu o que sou não é, exatamente, para o que me querem...
E com isso disse muito: retornei mais magro, com cabelos menos brancos e falando inglês. Uau! O que podem querer de mais? De bom tamanho já não está? Pois é: não é?
E olha que ainda não sabem de tudo o que vi, que fiz e que percebi - e isto são coisas a contar um dia.
O que tenho a dizer, realmente, é que estou por aí – o que quer dizer por aqui.
Como havia dito (em escritos pretéritos), antes do carnaval chegar. Não pelo carnaval, propriamente. Mas por ser a hora programada. Ainda cumpro compromissos num Brasil que os esquece. E ainda tenho horas marcadas.
Além disso, é mister saber que estou de volta e mais ou menos ok.
Com efeito, tenho exercitado, ainda que meio fingidamente, um certo ar ok.
Bom, na verdade, para alguns parentes e amigos tenho encenado que voltar é problemático. Cresci numa cultura que tende a pensar mal de Belém e me adéquo à geral expectativa alheia de que voltar a Belém será sempre um drama.
Nem é – embora não deixe de o ser.
Até que estou bem contente, porque estar na minha casa, com meus livros, meus bichos, minha cama e meus armários, é sempre muito bom.
Mas também estou triste, porque tem coisas que ficam para trás, como meu bairro em Londres, com seu cemitério gótico; como meu departamento de sociologia em Cambridge, minha biblioteca-absolutamente-incrível-pois-eu-nunca-tinha-encontrado-outra-igual...
Tem as pessoas queridas que lá ficaram e a alegria contagiante do meu pub preferido, o Mason’s Arms, a três passos de casa.
Mas deixa para lá... um dia, até, eu conto... ou volto, nunca se sabe, não é?
Retornar é difícil pelo que se deixa e pelo que não se encontrou e retornar é difícil pelo que não se reencontra.
- mas eu, meio abestado e meio bobo, o que eu tudo-encontro é o que não tinha visto antes, ainda que antes-tudo estivesse bem aposto à frente de meu nariz.
Deixando, mesmo, para lá, devo dizer que sou mais ou menos bom em chegadas, partidas e retornos.
Já aconteceram algumas vezes. Todas carregadas de tensão, de línguas a aprender, rostos novos e velhos e bagagem meio maluca.
O problema resta o retorno. O retorno é sempre a parte mais tensa. Sempre tenho a sensação de que não saberei explicar sobre alguma coisa na alfândega. De que não saberei mais falar a língua pátria e de que não conseguirei conter alguma coisa: ou o riso ou a ironia ou o sarcasmo ou a náusea ou o sono.
Relativamente sem problemas, ao contrário, são as partidas. É sempre bom se ir e conhecer o novo. A confusão eterna de encontrar onde se vai morar, escola de filhos, farmacêutico de confiança e canal de televisão favorito...
Pois é. Quando fui, há seis meses, deixei dito por aqui que ia voltar antes do carnaval chegar, se o golpe permitisse. Aliás, prometi outras coisas. Prometi que ia contar minhas aventuras e publicar um pouco dos meus diários – e não fiz nada disso. Falta de tempo, excesso de pudor. E também desconfiança do “face”. Os tempos são de desconfiança. Tanta gente estranha, tanta falsidade no ar...
Mas o que importa é que cheguei e que estou, como sempre, disponível. Quer dizer, não tanto para essa gente escrota que anda por aí, com cara de empada. Mas para vocês, certamente.

02 novembro 2017

Dona Chica

Na minha família paterna eram comuns as referências a uma antepassada perversa e malcriada que desdenhava de santos alheios, dava ordens sem parar e sem importar a quem e gostava de dizer, a cada um, as suas verdades. Tratava-se de uma criatura poderosa, um avantesma quase tribal, uma espécie de totem, de quem se sabia, ainda, uns restos de história. Tratava-se da dona Chica.
Quando as nuvens se faziam negras no horizonte, havia sempre quem dissesse,
“São horas de dona Chica”,
E quando a bagarre se formava entre as gentes,
“São quizílias de dona Chica”,
E quando a disputa se dava ao jogo,
“É psica da dona Chica”,
E quando a desobediência se fazia,
“São questões p’ra dona Chica”,
E quando um mistério profundo se avolumava,
“São coisas de dona Chica”,
E quando o menino não queria dormir,
“Vou chamar a dona Chica”.
E isto era para mim.
Mas quando!, que logo fechava os olhos, credo!
Tecnicamente falando, ela era minha 6a avó, ou seja: a bisavó do avô de meu avô. E tão poderosa era sua figura, em vida, que, morta, perdurou. E perdurou dessa forma que lhe deu forma aquando viva: amedrontando menino, desgostando gente e destratando parente. Assombrando, que assombrar sempre foi sua especialidade...
Quando perdi o medo dela, fui buscar saber melhor quem era. Cá e ali fui colhendo sua forma humana. Chamava-se Francisca, é claro. Maria Francisca de Paula da Gama Lobo d’Anvers. Era filha do tenente-coronel João da Gama Lobo, paraense de ascendência mazaganesa, e de sua esposa, a maranhense de São Luis, dona Joanna Paula Rubim d’Anvers. Nasceu na fazenda de seu pai, a Costa das Cuieiras, no atual município de Monte Alegre, no ano de 1778, passou a infância em Santarém e, depois de casada, com o cametaense Agostinho Pestana de Vasconcellos Brandão de Castro, futuro coronel da Briosa, ou seja, da Guarda Nacional, passou a residir em Belém. Primeiramente no Largo do Palácio, atual praça d. Pedro II, na casa de seu tio, o comerciante Manuel da Gama Lobo e, em seguida, em sua casa própria, no Largo do Carmo.
Do que soube, tinha um caráter voluntarioso, sabia ler e escrever – o que não era comum entre as mulheres de seu tempo, mesmo entre as mais ricas – e foi uma grande epistolária. Escrevia cartas e mais cartas, dando recomendações, conselhos e ordens. Mas também ensinando receitas de doce, falando de política e expressando suas percepções a respeito do comportamento alheio.
Consta de seu mito que se tratava de senhora mui zelosa do comportamento, seja o de sua gente, seja do alheio. Admoestava padres e bispos, generais e capitães, juízes de paz e juízes de fora. Falava aquém e não importa a quem. Dizia as verdades necessárias, sem importar se magoassem, ofendessem ou doessem. Era mulher de opiniões. De extremadas opiniões.
Suas cartas não restaram, mas o fato de se contar que foram muitas, me parece, constitui o indicativo de que houveram. Na verdade, sei o aconteceu com elas: foram parar dentro de um fogão, no forno-caldeira, lá jogadas pelas mãos insensíveis de Mirandolina Fernandes de Souza Castro, esposa de Antonino Emiliano de Souza Castro, o barão de Anajás, neto de dona Chica.
Há todo um conto por trás disso. Dona Mirandolina tinha implicâncias com a família do marido (deve ter sido maltrada pela avó do rapaz) e, quando pôde, pôs a perder as cartas tais. De pura maldade...
O barão, que foi um sujeito amante da história e guardador de lembranças da família, desde cedo colecionou as cartas da avó. As cartas escritas pela avó e, quando havia, também as cartas que esta recebia – as quais colheu aqui e ali. Saia mendigando-as, solicitando-as aos parentes distantes e aos amigos. Teria reunido uma boa coleção. Hoje, isso tudo seria um tesouro, a memória mais viva possível de dona Chica; mas bem, no contrapelo da história havia essa alma destrutiva que era a baronesa sua mulher. Um cão. Um cão de botas.
Só não contava era que mais tarde viesse eu, que acredito que a sublevação da ficção atêia o passado e que estou aqui, rente que nem pão quente, para revelar não apenas o seu crime como, também, a existência de dona Chica. E toma-te!
Na verdade, venho reiventando as cartas de dona Chica, imaginando-as e reescrevendo-as. Meus compromissos graves são com a ficção-história, e não com a história-ficção. E nessa tarefa tenho-a consultado, a ela, a dona Chica, sobre os assuntos de seu tempo e os do nosso.
Nem sempre ela se dá ao trabalho de me responder, pois não me considera boa coisa.
Com efeito, reprova, com veemência, meu gauchisme. Diz que sou intratável, irresponsável, pouco cristão, quase ignorante e que era melhor quando eu era menino e tinha medo dela.
A respeito de eu andar a reescrever as suas cartas, considera que bem fez aquele cão que era a Mirandolina, que as queimou e pronto. E que eu me exponho ao ridículo, sem qualquer necessidade, em fazer tal coisa.
Mas a nada disso levo muito em conta.

Apenas prossigo, adentro do tempo da memória – que não é apenas minha.