25 agosto 2010

Heranças à Esquerda 47

Esquerda brasileiras 17: O PT 7: Os trotskysmos do PT: O Trabalho.

A tendência O Trabalho surgiu em 1976, com o nome de Organização Socialista Internacional (OSI). Resultava da fusão da Organização Marxista Brasileira com o Grupo Comunista Primeiro de Maio. Seu braço estudantil era o Libelu (Liberdade e Luta).

O Trabalho fez um movimento impressionante, em seu processo político, de repúdio e aproximação ao PT. Nos anos 70 postura era de completa intransigência. Considerava o PT como uma “articulação burguesa”. Em poucos anos apenas, já o via como “instrumento revolucionário”. Essa mudança de posição não se deve a uma futilidade política e nem, tampouco, a uma “evolução crítica”, mas sim a uma opção tática, absolutamente pragmática.

Em 1980 o grupo decidiu entrar no PT e se formar como tendência interna. A denominação O Trabalho foi adotada em 1986, depois de se chamar, durante dois anos, Fração IV Internacional.  Iniciou, em seguida, um movimento de aproximação à Articulação – aliás nada fácil, porque a tendência dominante do partido considerava a “corte” feita pelo Trabalho, como simples oportunismo.

Aos poucos, a solução encontrada pelo Trabalho para efetivar seu movimento tático foi a própria dissolução como tendência, o que aconteceu a partir de 1987, com a progressiva saída de quadros na direção da Articulação. No ano anterior a tendência havia logrado eleger deputada estadual, em São Paulo, uma de suas dirigentes principais, Clara Ant. Esse fato contribuiu para aproximar bastante a tendência aos dirigentes da Articulação, principalmente ao núcleo sindicalista, liderado por Lula e, assim, facilitar o processo migratório.

Um outro fator que pesou para esse encaminhamento foi a crise internacional deflagrada, entre os grupos filiados à IV Internacional - Centro Internacional de Reconstrução, quando uma parte significativa do diretório dessa instituição rompeu com o dirigente principal, Pierre Lambert, evento ocorrido também em 1987.

Porém, acho curioso observar como, em meio à crise do mundo soviético, o Trabalho, ao contrário das outras principais tendências trotskystas do PT, a Convergência Socialista (CS) e a Democracia Socialista (DS), que se fortaleceram politicamente nesse processo, prosseguiu seu caminho de dissolução.

Essas mudanças foram saudadas por todos os trotskystas como a possibilidade de recuperar a idéia original do socialismo – na medida em que a crise não é do socialismo, é do stalinismo. Pelo Trabalho também, evidentemente, mas o processo de integração com a Articulação tornava imperativa, aparentemente,a dinâmica tática adotada.

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