13 setembro 2010

Heranças à Esquerda 48

Esquerdas brasileiras 18: O PT 8: Os trotyskismo do PT: A Democracia Socialista 1

A Democracia Socialista – DS – é outra tendência trotskista agregada ao PT. É ligada à IV Internacional, secretariado Unificado (SU). Seu primeiro instrumento político foi o jornal Em Tempo, um veículo que, em seus primórdios, constituía uma espécie de frente jornalística de esquerda. O papel da DS no jornal cresceu a ponto de ele ser identificado como porta-voz da organização. Em 1981 a DS se unificou com a Organização Revolucionária dos Trabalhadores, dando origem à Organização Revolucionária Marxista – Democracia Socialista (ORM-DS), mas logo depois retomou a formação e a denomincação originais.
Em 1988 a DS mudou seu caráter organizativo e se assumiu como tendência petista. Essa decisão, debatida desde dois anos antes, por ocasião do seu congresso, decorria da leitura de que a conjuntura política brasileira dava ao PT um papel estratégico que, em outro contexto, ele não teria. Entre 1986 e 88 a agremiação produziu uma análise bastante otimista sobre o futuro do PT, percebendo-o como uma frente alternativa às forças políticas moderadas e de direita, que tendiam a uma pactuação em bloco.
A análise da DS se demonstrou correta e a partir do seu 5º Encontro Nacional, em 88, começou a produzir um trabalho reflexivo e político de avaliação do PT. Essa avaliação percebia as ambigüidades presentes no PT mas considerava, também, que o partido avançava nas suas posições socialistas. Não o suficiente para que ele possa ser considerado um partido “revolucionário”, mas bastante para dar conta de um projeto de esquerda básico para a sociedade brasileira.
Essa avaliação que a DS fez do PT, bem como sua opção por entrar no partido, derivam da linha política estabelecida pelo IV Congresso da IV Internacional (SU), realizado em 1985. Essa linha estava baseada na adoção de uma postura mais flexível, mas tolerante, cujo movimento político era permitir a recomposição da esquerda revolucionária. Na prática, tratava-se de uma abertura política para o diálogo e para a composição.
Essa flexibilidade não significava, obviamente, eximir-se de um trabalho de construção política partidária, pelo que a DS lançou-se em três debates internos no PT, todos com conseqüências políticas importantes: a questão da subordinação da luta institucional à luta de massas; a organização do PT como partido militante; o processo de fortalecimento do núcleo dirigente do partido.

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