14 setembro 2010

Heranças à Esquerda 49

Esquerdas brasileiras 19: O PT 9: Os trotyskismo do PT: A Democracia Socialista 2


O embate partidário da DS resultou numa concepção estratégica que, dentro do PT, ficou conhecida como “governo democrático e popular”. A expressão não srge na DS, mas é ela que lhe confere um significado político de fundo estratégico, também conhecido como “movimento da pinça”.
Esse movimento significava, basicamente, o seguinte: romper com a ordem burguesa avançando sobre a sua nstitucionalidade. Ou seja: imiscuir-se ao poder, democraticamente, para operar um processo de corrosão interna, sintetizado no movimento de, de posse do poder, transferir legitimidade aos movimentos populares para que eles possam se posicionar melhor e ampliar sua luta contra a institucionalidade burguesa.
É um mecanismo de construção de novas formas de poder. Politicamente, era uma estratégia original, no campo da esquerda, porque se diferia tanto da prática bolchevique como dos modelos da disputa e guerra política popular aberta. Tecnicamente, essa operação foi denominada “guerra de movimento prolongado”. Ou seja, um “confronto de massas prolongado contra o Estado e o grande capital”, por meio do qual os mecanismo de institucionalidade eram pinçados da normalidade institucional para serem partilhados com as camadas populares.
A experiência institucional da DS se produziu a partir de dois processos: em primeiro lugar, sua experiência no Rio Grande do Sul e, em seguida, na prefeitura de Luíza Erundina, em São Paulo, da qual a DS foi uma das principais sustentadoras.
A gestão de Pont, em Porto Alegre, sobretudo, foi extremamente positiva e aplicou a “estratégia da pinça” de modo contínuo, provocando efetivas transformações sociais e uma experiência de empoderamento popular que deixou marcas na memória social gaúcha. Porém, a gestão de Erundina foi problemática. Na auto-avaliação produzida pela própria DS, os principais problemas dessa experiência foram a desorientação da militância petista,
O entorpecimento da percepção política, que fez com que os militantes, alçados aos cargos públicos, acabassem se acomodando a uma rotina de práticas clientelistas, assistencialistas e paternalistas.
Também seria possível incluir, nesse rol, o governo de Ana Júlia, no Pará. Mas talvez não, porque a DS paraense resulta da necessidade política conjuntural de construção de um espaço institucional para fazer a disputa interna dentro do PT paraense, e não de um processo político que decorre da história de luta do trotskysmo. Seria um caso a avaliar.
O papel da DS no PT, embora com exceções, se caracteriza por uma visão crítica. Principalmente em relação ao processo de social-democratização do partido. Na avaliação da tendência, esse processo decorre do caráter pragmático do PT, o que produz um estreitamento institucional que, se por um lado amplia a base eleitoral, prejudica, por outro lado, o desenvolvimento orgânico do partido. O resultado desse processo, segundo a DS, tende a ser um “estreitamento institucionalista” perigoso, pois assinala uma adaptação do partido à ordem burguesa.

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